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domingo, 20 de janeiro de 2008

Olhares


Durante uma aula de filosofia, meu celular toca, olho o número, e não tenho a mínima idéia de quem seja, atender ou não atender, eis a questão. Professora, posso atender o celular? Parece que é algo importante. A professora concordou que eu saísse para atender. Atendi com um Oi curioso. Oi Yara, tudo bem? Disse a voz do outro lado. Tudo sim e com você? Quem é? Era o Rodrigo, aquele garoto lindo e simpático que eu conheci no carnaval.
- Ah.. Oi Rodrigo, desculpa a demora em atender o celular, estou na aula, não reconheci o numero e achei que pudesse ser algo importante, então sai para atender.
- Algo importante... E não é?
- É, claro que é... Mas eu não posso demorar senão a professora vai chiar.
- Mas eu preciso muito falar com você. À que horas terminam suas aulas?
- Às 22:45, porque?
- Posso passar pra te pegar, assim podemos conversar melhor?
- Pode, te espero aqui na frente do colégio, mas agora preciso desligar, beijos.
- Beijos.


Mas o que será que o Rodrigo quer comigo? Como será que ele conseguiu o número do meu celular? Eu não estava agüentando de curiosidade, aquela meia hora de aula parecia durar uma eternidade. Mas para a minha felicidade quando saí, ele já estava lá à minha espera, encostado no carro e tão aflito e ansioso quanto eu. O encontro de olhares foi mágico. Eu disse oi, dei-lhe um beijo no rosto e parei diante dele, não conseguia me mexer diante de seus olhos. Ele também ficou parado como uma estatua, e depois de alguns instantes observei que se eu estava olhando nos olhos dele, ele também estava olhando nos meus. Vamos? Disse ele. Entrei no carro sem saber ao menos para onde estávamos indo, acho que ele também não sabia. A música que estava tocando era linda, ah que música! Estava tudo muito perfeito para ser verdade, mas por incrível que pareça, era. Ele parou o carro num lugar tranqüilo e começamos a conversar sobre os mais diversos assuntos, fiquei sabendo muito da vida dele, e ele da minha, o tempo passou e nós nem percebemos. Olhei no relógio e disse assustada: Já é meia-noite! Preciso ir embora, amanhã eu levanto cedo. Ele colocou delicadamente a mão no meu rosto, ficou olhando nos meus olhos e foi se aproximando, e eu adorando tudo aquilo. Faltaram palavras para aquele instante, foi quando as bocas encostaram num beijo maravilhoso e apaixonado. Que clima maravilhoso, a música, os olhares, os beijos. Foi tudo tão perfeito e completo, que a minha vontade, e acho que a dele também era que o mundo parasse naquele instante. Queríamos ficar ali juntinhos o resto da noite, mas precisávamos ir, então seguimos a razão e fomos embora. Ao parar o carro em frente da minha casa, fui me despedir, quando ele me deu mais um beijo, seguido da frase: “Foi um encontro maravilhoso, era tudo o que eu mais queria. Nos vemos amanhã?” Respondi concordando e dizendo “Claro, me liga... Ah, só mais uma coisinha... eu também adorei.” .

PS: Mini conto escrito em janeiro de 2005, sem querer subestimar, mas melhorei muito a escrita desde então. Mas achei interessante colocar aqui. Amanha volto com uma super crônica que já está em andamendo. beijos. Mas vou deixar essa mini poesia tambbém pra quebrar o doce do conto.





'Sou dona de mim mesma
Amo com meu amor tímido
Safado, carente,
Algumas vezes carinhoso,
Outras irritadiço
Tenho desejos, tesão,
Minha pele arde
E dói muitas vezes
Por você, sempre por você.
Não importa.
Volto por mim mesma.'

sábado, 8 de dezembro de 2007

Decifra-me ou devoro-te



O filme é bom
Mas o sofá está desconfortável e solitário
O filme acaba
A música toca no fundo dos sentimentos
Tenho vontade de trocar de coração
Pegar um menos sensível e mais auto-confiante
Nada tem graça sozinha
Prefiro ter alguém, e que seja você
Gosto da sua companhia
Do seu ar auto-suficiente
e até das suas piadas sem graça
Sua risada sincera eu reconstruo na mente até dizer chega
É a mais autentica que já observei
Procuro defeitos, e sei que tens aos montes
Mas talvez eu me acostumasse com eles,
e de repente eles até me completassem
Seus olhos são como o enigma da esfinge de Tebas¹
Implorando para serem decifrados
Não consigo, você ainda nao permite
Seja o jeito indecifravel como me olha
Só quero ficar por perto, seja como for
Te decifrar e deixar que me decifre.


¹"Decifra-me ou devoro-te" - Édipo Rei - Sófocles (Literatura Grega)

domingo, 18 de novembro de 2007

Florbela Espanca



''Escreve-me!


Ainda que seja só uma palavra,


Uma palavra apenas,


Suave como o teu nome e casta


Como um perfume casto d'açucenas!


Escreve-me!


Há tanto, há tanto tempo


Que te não vejo, amor!


Meu coração morreu, já!


E no mundo aos pobres mortos


Ninguém nega uma frase d'oração!


''Amo-te!''Cinco letras pequeninas,


Folhas leves e tenras de boninas,


Um poema d'amor e felicidade!


Não queres mandar-me esta palavra apenas?


Olha, manda então... brandas... serenas...


Cinco pétalas roxas de saudade...''


Florbela Espanca


terça-feira, 30 de outubro de 2007

Razões sólidas

Vou e sinto,
o frio na barriga,
o calor, a cantiga,
solidão é o instinto
minto
Pela saudade
por uma vontade
Do desejo
de um beijo
que eu jamais experimentei
E eu pergunto ó céus
Por alguém,por quem?
Nao importa
se nao há ninguém
na escuridão ou no breu
Volto por mim mesma...