sexta-feira, 13 de junho de 2008


Elevador - Ana Carolina

"Pra que,
Te espero de braços abertos
Se você caminha pra nunca chegar
Então vou no fundo
Ameaço ir embora
Você diz que prefere quem sabe ficar
Eu queria tanto
Mudar sua vida
Mas você não sabe se vai ou se fica
Eu tenho coragem
Já estou de saída
Você diz que é pouco
E pouco pra mim não é bobagem
[....]
Então me lanço,
Me atiro em frente ao seu carro
E ai você decide se é guerra ou perdão
Se na vida eu apanho
Outras vezes eu bato
Mas trago a minha blusa aberta e uma rosa em botão
[...]
O tempo do passado tá em outro tempo
Lembrando de nós dois em um instante que não pára
Viver é um livro de esquecimento
Eu só quero lembrar de você até perder a memória
[...]"

domingo, 27 de abril de 2008

Ausência de você


Você chegou sem avisar, foi tomando seu espaço, marcando seu território, e ganhando minha atenção. Mas foi embora, pra quem sabe um dia voltar. A distância que nos separa não é física, pois sei que estás nesse exato momento, há algumas quadras daqui, e vem ver-me semanalmente. Mas cansei, cansei dessas visitas automáticas que tornaram-se as suas vindas, cansei de você e do seu amor mecânico. Porque ainda aguento tudo isso? Porque com você pude ser eu mesma, pude amar, pude ser amada, fazer feliz, ser eu mesma, realizar fantasias, e quer saber o que me resta? E o que faz-me aceitar essa situação? A memória. As lembranças que sua presença me resgata por causa do seu romantismo lascivo, que de tão doce chega a ser perturbante.
'Lembro daquela noite de outono que o conheci, um moreno de ar sedutor, vestido num fraque, um black tie irresistível. Não só percebi sua presença como, segui-o com meus olhos. E sei que no mesmo instante reparaste em mim também, a morena de vestido preto contrastando com a pele claríssima, em cima de uma sandália dourada de salto, como ele mesmo descreveu mais tarde. A troca de olhares manteve-se o evento todo, e no final, antes de começar a parte badalada, como se não quisesse perder-me, segurou meu braço com a violência de um desejo e convidou-me para uma dança. Justo a valsa final. Um passo pra lá, um pra cá. Seu rosto colado ao meu, seu pescoço alinhado ao meu queixo, embreagando-me de seu perfume envolvente, que atiçou-me os sentidos. Ao findar da música levou-me para a parte externa, com a desculpa de tomar um ar, mas tudo o que fez foi deixar-nos ofegantes. Sorriu timidamente e beijou-me com o desejo contido, com a magia das fantasias. A sensualidade brotava a cada toque, suas mãos percorriam o meu corpo, desvendando mistérios jamais descobertos. As minhas mãos trêmulas não sabiam o que fazer, então deslizava em seu corpo suavemente. Mãos que correm, percorrem, alisam, deslizam, despenteiam...
O cenário contribui, folhas caindo, a lua refletindo no lago, as estrelas brilhando, e nós, naquela imensidão de minuto, aproveitando cada milimetro de nossos corpos. O único céu que eu queria e conseguia tocar nesse instante era o céu da sua boca, num abraço apertado. A língua que lambe e desliza pescoço a fora arrepiava-nos e descobria sabores desconhecidos.
As mãos que antes passeavam suavemente, agora cravam as unhas que ferem de desejo, deixam marcas de um momento de êxtase, e prazer contido na pele.
Depois desse dia, nos víamos frequentemente, e era sempre uma explosão de paixão, e foi assim meses a fio, ele foi o meu melhor homem, o meu único homem, a quem me entreguei e vivi momentos intensos.'
Escrevo, porque assim eternizo nossos momentos únicos, deixo gravado pra sempre, pra você lembrar de como nos completávamos tanto no amor, quando no desejo, e volta a ser o meu fiel amor e amante, que me faz viver e de tanto me amar, me deixa com ressaca de você. Sei que nada disso faz sentido, mas algum dia nós fizemos?
Detesto sua ausência, essa que me impreguina de você.
PS: Desculpem-me o sumiço do blog, é falta de tempo e criatividade, esse conto eu publiquei há um tempo atrás no blog Polifonias Literarias. Beijos.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Tráfico de Seres Humanos




“Ela me disse que eu poderia ganhar o que eu ganho em um mês, em apenas uma semana, proposta tentadora, não me disse ao certo que tipo de trabalho era, disse apenas que era coisa boa, segura, um trabalho ‘firmeza’ na Europa e que era para eu estar sexta feira, nove horas naquele endereço. Quando cheguei lá já estavam com o visto e o passaporte prontinho ‘pro’ embarque ‘pra’ Europa. Na Europa havia pessoas me esperando, sabiam até a roupa que eu estava usando, me levaram para um apartamento, onde já estavam algumas mulheres. Éramos escravizadas, tínhamos que fazer todo o serviço doméstico, e ainda trabalhar como prostitutas, sem ligar pra horários e cansaços físicos, se não concordávamos com alguma coisa, éramos cruelmente ameaçadas de ser entregues para a polícia da imigração, que diziam ser a pior, que espancavam e até executavam os imigrantes, quem iria saber se realmente estavam mentindo, naquele cenário? Era mais fácil obedecer”. Depoimento de uma mulher que foi vitima do tráfico de seres humanos, retirado do programa de televisão Direitos de Resposta.
Cena deprimente, que retrata apenas um caso de tráfico de mulheres, enviando-as para outros países, com destino a indústria do sexo. Muitas pessoas nunca ouviram falar sobre este assunto, mas é uma realidade que atinge a sociedade mundial, é a mais moderna forma de escravidão. Mulheres e adolescentes são os maiores alvos para os traficantes, as crianças e os homens, em menor quantidade, também são visados por eles. Apesar de 43% das pessoas traficadas serem enviadas para a exploração sexual e movimentarem 31 bilhões de dólares por ano, são enviadas também para qualquer tipo de trabalho escravo, doação involuntária de órgãos para transplante, entre outros.
Primeiramente falando sobre o tráfico de mulheres com destino a indústria do sexo, no Brasil, são em sua maioria adultas, e saem principalmente das cidades litorâneas como Rio de Janeiro, Vitória, Salvador, Recife e Fortaleza, mas há também registros consideráveis de casos nos estados de Goiás, São Paulo, Minas Gerais e Pará. Os destinos principais são a Europa com destaque para a Itália, Espanha e, mais recentemente, Portugal e países da América Latina como Paraguai, Suriname, Venezuela e Republica Dominicana. Em áreas interioranas, em grande parte das vezes, as vítimas não atuam como profissionais do sexo no Brasil e partem para o exterior motivadas por falsas promessas de emprego e vida melhor, como foi relatado no depoimento no começo do artigo. Já no caso das fronteiras litorâneas, o turismo sexual praticado internamente, principalmente em grandes metrópoles, é o principal elo com as redes internacionais de tráfico de pessoas. Nesses casos, o acesso fácil de brasileiras a estrangeiros interessados em sexo pago potencializa o contato delas com as redes internacionais. Neste contexto, é comum que as mulheres alvo das redes de tráfico tenham envolvimento anterior com a prostituição.
Podem acontecer casos como estes, das pessoas irem por livre e espontânea vontade, porém iludidas, mas também são freqüentes seqüestros nas fronteiras territoriais. Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OTI) mais de 2,4 milhões dos trabalhadores forçados são vítimas do tráfico internacional de pessoas.
Devido a estes acontecimentos tornarem-se dia-a-dia mais freqüente, o combate ao Tráfico de Pessoas se apresenta como uma questão prioritária para a comunidade global, pois a grande maioria dos países é afetada por este fenômeno. Nações e organizações internacionais, governamentais e não-governamentais estão unindo-se para criar programas e adotar leis severas contra este crime. Como é o caso do CMV (Coletivo Mulher Vida) que no dia da eliminação à violência contra a mulher (25/11) do ultimo ano mobilizou pessoas numa campanha muito bem organizada contra o trafico de seres humanos em Fortaleza, com panfletos e palestras.
Segundo o ministro da justiça, Thomaz Bastos, o tráfico de seres humanos é um crime que entra no rol dos crimes organizados, junto com tráfico de drogas, armas e lavagem de dinheiro e que combatê-lo é uma prioridade do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Ele também diz que este é um crime que tem que ser tratado de forma diferenciada, porque é sutil e, muitas vezes, disfarçado por outras práticas legais e que para combatê-lo, é preciso trabalhar com sofisticação e em rede. A idéia é preparar o Estado, o Poder Judiciário e as polícias para investigar o crime de tráfico de seres humanos. E punir com mais eficácia as organizações criminosas para que esse crime seja realmente extinto de nossa sociedade. Também são necessárias campanhas de combate ao trafico de pessoas, mobilização da sociedade, e da sua ajuda, denunciando quando souber de algo suspeito.

Webgrafia: http://www.mulhervida.com.br/
http://www.mj.gov.br/
http://www.bancodedados.charme.org.br/

Direito de imagem: Centro Humanitário de Apoio à Mulher- CHAME

PS: Eu escrevi este artigo em janeiro de 2006, há dois anos atrás essa questão já era preocupante, e o que é visto hoje em dia não é um quadro muito diferente. Na novela Duas Caras de Aguinaldo Silva este tema tem sido abordado pela ‘ONG da Condessa’. É uma forma diferente de falar sobre este tema, já que a massa que assiste a novela geralmente não teve curiosidade ou acesso a essas informações, porque desde muito tempo as mulheres caem nesse golpe. É interessante que todos saibam da existência desses bandidos para que esta prática seja combatida. Espero que gostem. Apesar de ter sido escrito há dois anos, é super atual, deve ter muitas informações para atualizar, mas já basta para o alerta. Beijos.






Aproveito este post para agradecer (atrasada), os selos que recebi do meu querido Átila Siqueira, e aproveito para dedicar ao Blog www.biancafeijo.blogspot.com.


Blog cabeça e Diz até que não é um Mau Blog

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Ausência de você

Hoje eu estréio com um conto no Blog Polifonias Literárias (http://www.polifonias-literárias.blogspot.com/), blog cujo fui convidada a participar e estarei postando provavelmente semanalmente. Espero que gostem. Beijos.
'Você chegou sem avisar, foi tomando seu espaço, marcando seu território, e ganhando minha atenção. Mas foi embora, pra quem sabe um dia voltar. A distância que nos separa não é física, pois sei que estás nesse exato momento, há algumas quadras daqui, e vem ver-me semanalmente. Mas cansei, cansei dessas visitas automáticas que tornaram-se as suas vindas, cansei de você e do seu amor mecânico. Porque ainda aguento tudo isso? Porque com você pude ser eu mesma, pude amar, pude ser amada, fazer feliz, ser eu mesma, realizar fantasias, e quer saber o que me resta? E o que faz-me aceitar essa situação? A memória. As lembranças que sua presença me resgata por causa do seu romantismo lascivo, que de tão doce chega a ser perturbante. ' (Continua... leia em http://www.polifonias-literarias.blogspot.com/)

domingo, 27 de janeiro de 2008

O tabu da virgindade feminina

Os conceitos e valores a cerca da virgindade feminina e masculina sempre foram diferentes, mas, a polêmica em relação à feminina é maior por envolver também um fator biológico: o hímem. O hímem é uma membrana localizada na entrada da vagina, que durante a infância tem a função de proteger a garota contra possíveis infecções, já que a criança não produz hormônios suficientes para proteger-se sozinha.
Antigamente era preciso ser virgem para obter respeito e garantir um bom casamento. As mulheres que transavam antes do casamento eram consideradas fáceis e sem valor algum. O preconceito era tanto por parte dos homens quanto por parte das outras mulheres. Mas, e agora, que respeito é conquistado de várias outras formas que não privação de sexo, numa época em que as mulheres não estão nem um pouco preocupadas e nem com prioridades no casamento?
Hoje em dia, muito mais que um fator biológico, a virgindade feminina é também um fator sócio-cultural, que envolve conceitos pessoais que foram evoluindo ao longo do tempo. Até que foi boa a evolução, a modernidade, mas o lado ruim foi a banalização do sexo. Virgindade virou um rótulo, não é mais apenas um hímem, porque há garotas que praticam outras modalidades de sexo, como o oral, com a finalidade de permanecerem 'virgens'. Que utópico! Ao meu ver, essas mulheres já não são mais virgens, mesmo que não tenha acontecido o rompimento do hímem.
Esse rompimento pode dar-se ao usar absorvente interno, ao cair de bicicleta etc, então essas garotas não são mais virgens por nao possuírem mais hímem, sendo que nunca tiveram contato mais íntimo com um homem, e o outro grupo que pratica outras formas de sexo, mas possuem hímem, são? Tiremos o hímem da história e veremos que o síntese de virgindade é subjetivo e vai muito além de fatores biológicos e físicos. É igualmente, a perca da inocência, o rompimento do hímem, mas também de tabus, (pré)conceitos e barreiras. É a liberação inconsciente da mulher moderna, a ascensão da liberdade sexual, que deve ser praticada com pessoas 'certas', com consciência e proteção, sem a banalização que tornou-se.
Perder a virgindade gera dor, e não apenas a dor física, mas também a dor emocional, porque não há mudança sem dor, e essa fase de transição de menina pra mulher gera conflitos também, por isso é legal que seja com carinho e prevenção, para o que é para ser bom, não tornar-se pesadelo. Não é complicado, na verdade se formos analisar a fundo, é simples até demais, porém ninguém senta e discute o assunto, facilitando a criação de monstros e tabus.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Escrevendo - Clarice Lispector

"Não me lembro mais onde foi o começo, foi por assim dizer escrito todo ao mesmo tempo. Tudo estava ali, ou devia estar, como no espaço-temporal de um piano aberto, nas teclas simultâneas do piano. Escrevi procurando com muita atenção o que se estava organizando em mim e que só depois da quinta paciente cópia é que passei a perceber. Meu receio era de que, por impaciência com a lentidão que tenho em me compreender, eu estivesse apressando antes da hora um sentido. Tinha a impressão de que, mais tempo eu me desse, e a história diria sem convulsão o que ela precisava dizer. Cada vez mais acho tudo uma questão de paciência, de amor criando paciência, de paciência criando amor."


Diante dessa crônica da Clarice, meus dedos ficam paralisados e nao conseguem escrever nem uma linha sequer. Perfeito. Penso e analiso cada palavra dela, elas refletem em mim como o sol nas águas de um rio, brilhando, e clareando toda a escuridão.

domingo, 20 de janeiro de 2008

Olhares


Durante uma aula de filosofia, meu celular toca, olho o número, e não tenho a mínima idéia de quem seja, atender ou não atender, eis a questão. Professora, posso atender o celular? Parece que é algo importante. A professora concordou que eu saísse para atender. Atendi com um Oi curioso. Oi Yara, tudo bem? Disse a voz do outro lado. Tudo sim e com você? Quem é? Era o Rodrigo, aquele garoto lindo e simpático que eu conheci no carnaval.
- Ah.. Oi Rodrigo, desculpa a demora em atender o celular, estou na aula, não reconheci o numero e achei que pudesse ser algo importante, então sai para atender.
- Algo importante... E não é?
- É, claro que é... Mas eu não posso demorar senão a professora vai chiar.
- Mas eu preciso muito falar com você. À que horas terminam suas aulas?
- Às 22:45, porque?
- Posso passar pra te pegar, assim podemos conversar melhor?
- Pode, te espero aqui na frente do colégio, mas agora preciso desligar, beijos.
- Beijos.


Mas o que será que o Rodrigo quer comigo? Como será que ele conseguiu o número do meu celular? Eu não estava agüentando de curiosidade, aquela meia hora de aula parecia durar uma eternidade. Mas para a minha felicidade quando saí, ele já estava lá à minha espera, encostado no carro e tão aflito e ansioso quanto eu. O encontro de olhares foi mágico. Eu disse oi, dei-lhe um beijo no rosto e parei diante dele, não conseguia me mexer diante de seus olhos. Ele também ficou parado como uma estatua, e depois de alguns instantes observei que se eu estava olhando nos olhos dele, ele também estava olhando nos meus. Vamos? Disse ele. Entrei no carro sem saber ao menos para onde estávamos indo, acho que ele também não sabia. A música que estava tocando era linda, ah que música! Estava tudo muito perfeito para ser verdade, mas por incrível que pareça, era. Ele parou o carro num lugar tranqüilo e começamos a conversar sobre os mais diversos assuntos, fiquei sabendo muito da vida dele, e ele da minha, o tempo passou e nós nem percebemos. Olhei no relógio e disse assustada: Já é meia-noite! Preciso ir embora, amanhã eu levanto cedo. Ele colocou delicadamente a mão no meu rosto, ficou olhando nos meus olhos e foi se aproximando, e eu adorando tudo aquilo. Faltaram palavras para aquele instante, foi quando as bocas encostaram num beijo maravilhoso e apaixonado. Que clima maravilhoso, a música, os olhares, os beijos. Foi tudo tão perfeito e completo, que a minha vontade, e acho que a dele também era que o mundo parasse naquele instante. Queríamos ficar ali juntinhos o resto da noite, mas precisávamos ir, então seguimos a razão e fomos embora. Ao parar o carro em frente da minha casa, fui me despedir, quando ele me deu mais um beijo, seguido da frase: “Foi um encontro maravilhoso, era tudo o que eu mais queria. Nos vemos amanhã?” Respondi concordando e dizendo “Claro, me liga... Ah, só mais uma coisinha... eu também adorei.” .

PS: Mini conto escrito em janeiro de 2005, sem querer subestimar, mas melhorei muito a escrita desde então. Mas achei interessante colocar aqui. Amanha volto com uma super crônica que já está em andamendo. beijos. Mas vou deixar essa mini poesia tambbém pra quebrar o doce do conto.





'Sou dona de mim mesma
Amo com meu amor tímido
Safado, carente,
Algumas vezes carinhoso,
Outras irritadiço
Tenho desejos, tesão,
Minha pele arde
E dói muitas vezes
Por você, sempre por você.
Não importa.
Volto por mim mesma.'