"Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é possível fazer sentido. Eu não: quero é uma verdade inventada." Clarice Lispector
terça-feira, 30 de outubro de 2007
Razões sólidas
domingo, 28 de outubro de 2007
"Divagação segundo Yara"
terça-feira, 23 de outubro de 2007
Cheiro de Flor
Bem que eu tentei mas eu nao pude resistir
Ao teu cheiro de flor, teu jeito teu calor,
Bem que eu tentei mas eu nao pude resistir..."
domingo, 21 de outubro de 2007
Conhecendo Fernanda Young
terça-feira, 16 de outubro de 2007
Pela primeira vez a ultima chance
- Não sei, pode demorar, ainda preciso arrumar um trabalho, ganhar dinheiro, e enfim ir ao Rio te visitar. – Respondeu Bianca com vontade de sair correndo na mesma hora.
- Quando você vier, vou poder te dar um beijo na boca? – Brincou ele.
- Vai, paixão... – Concordou ela.
- Vem para cá no verão então.
- Combinado, após o reveillon, eu faço as malas com destino à cidade maravilhosa. Você estará me esperando?
- Claro, sua boba, é só me ligar que te buscarei onde você estiver.
Bianca já sabia como seria o fim desta relação: iriam passar um final de semana esplendoroso, depois o desejo teria que ser apagado por morarem em cidades diferentes, já que ela não tem a mínima dedicação para manter um relacionamento a distância, passaria então a ignorá-lo, afirmando friamente que a culpa do fim era dele, fazendo-se de vitima como só ela consegue. Mas não poderia deixar de viver esta aventura, nem que fosse para contar para as amigas. Bobagem, ela sabia que apaixonar-se-ia, alias, que já estava apaixonada.
Diego era um rapaz de classe média na terra da garota de Ipanema, trabalhava com seu pai, no auge de seus vinte e dois anos; era lindo, moreno, magro, com traços marcantes, tinha olhos cor de chocolate e dono de uma boca enlouquecedora e um sorriso encantador; usava calças e camisetas largas, estilo hip-hop, mas que traziam um toque de originalidade à sua personalidade forte e delicada, fazendo-o ser um homem maduro e um garoto inocente ao mesmo tempo. Ela tinha o perfume dele gravado na memória, como não havia gravado nada antes, era uma fragrância com notas florais e sândalo que expressavam masculinidade e polidez; era alegre, querido, tinha um papo envolvente, tanto que na primeira vez que se viram já aconteceu uma atração mutua e sintonia total. Esta vinda dela par ao Rio era a chance que tinham de viver o desejo que estava guardado há meses, pois o primeiro encontro fora rápido e significativo no aeroporto de Congonhas, em que trocaram olhares, telefones e “e-mails”.
Bianca era uma mulher decidida, morava no litoral de São Paulo e cursava a universidade contando vinte primaveras. Era linda, atraente e chamava a atenção por onde passava. Fina, doce e meiga como um cristal. Não era loira, nem morena, o tom de suas madeixas era castanho-claro-natural, na altura dos ombros, que davam ar de liberdade à sua face jovial, este ousadia que ela tinha grafado em seu pé direito numa tatuagem de borboletas coloridas de vários tamanhos, traduzindo a forma como ela enxergava a vida, anseio por liberdade que logo seria perdida nos braços de alguém. Seus olhos eram cor de mel, sua pele era clara e macia como uma pétala de rosa branca, o nariz e a boca eram delicados e harmoniosos com o rosto. Possuía um corpo esguio, com curvas acentuadas, usava roupas justas que acentuavam sua silhueta tipicamente brasileira. Ele carregava consigo o olhar dela, olhar profundo, poético, e tão envolvente que ele conseguia fechar os olhos e sentir a presença de sua musa.
A distância era curta, ela iria de ônibus porque compensava financeiramente. A semana que antecedera o passeio, Bianca não fizera outra coisa a não ser planejar cada detalhe e arrumar a bagagem. E após examinar tudo mil vezes, embarcou na peripécia que valeria a pena pelo resto da vida.
Ele estava a espera dela com o coração pulsando na boca, da ligação para buscá-la quando chegasse, a ansiedade já o tinha ao invés do contrário. Além de já ter fumado uma carteira toda de cigarro, logo ele, que fumava tão pouco. As horas corriam, mas a impressão era de que o relógio estivesse parado. Dentro da condução, ela também estava ansiosa e inquieta, mas o conforto é que a cada quilômetro ela estava mais perto do encontro com Diego. Mas conforme os minutos iam passando, ela ia sendo tomada por uma preocupação fora do normal. “Mas será possível? Agora que estou na metade do caminho não posso amarelar”, refletia Bianca. Porém não era apenas isso, ela não imaginava o que estava por acontecer. Pensamentos passeavam enquanto um filme de sua vida passava em sua mente, neste momento, pensou em sua família, em seus amigos, em tudo o que fez e deixou de fazer, em sua faculdade, em seus sonhos não realizados, e por fim pensou em Diego, vivenciou cada minuto que gastou com ele, desde a primeira vez até as conversas por telefone e internet. Teve uma imensa saudade de tudo, de todos, de Diego. Ele também foi tomado pela mesma sensação preocupante, contudo ele não entendia o motivo desta agonia.
Ouviu-se barulhos e gritos, um deles era de Bianca, o ônibus que ela embarcara descontrolou-se e sofreu um acidente, caindo serra a baixo, foi perto do limite de município do Rio de Janeiro. Curiosos paravam para ver o que tinha ocorrido, acionaram a Policia e os Bombeiros, que no resgate constataram muitas mortes, uma vez que o capotamento tinha sido destruidor. Levaram os mortos para o I.M.L. e os feridos para a Santa Casa de Misericórdia da cidade que já não era tão maravilhosa assim.
Enquanto isso Diego divagava em seus pensamentos, imaginando que Bianca desistira da viagem, desistira dele. Criando falsas afirmações a respeito da situação. Discorreu sobre a importância que ela tinha, e o quanto estava feliz porque iria tê-la junto de si, mas a agonia tomava conta de seus sentimentos, já que ela não atendia o celular, e deveria ter chegado há duas horas. Ele andava de um lado para o outro da sala clara, composta por artigos de antiguidade, ela iria adorar este cômodo aconchegante que mais parecia dela do que dele. A angustia só tendia a aumentar, e não a acabar. Ligou a televisão para distrair quando se deparou com a noticia do acidente que Bianca acabara de sofrer, e a pior das constatações, ela estava dentre as pessoas que faleceram.
A angustia deu lugar ao desespero, ele não sabia o que pensar, nem como agir, não conseguia acreditar que isto estava ocorrendo com os dois. Ela era seu amor maior, o desejo guardado, a paixão não vivida. Não conseguindo pensar em mais nada, seguiu para o I.M.L. Ao chegar e identificar-se, deram-lhe um pacote com seu nome que estava no colo de Bianca. Após ver a amada pela segunda e ultima vez, despediu-se com um “até breve” e voltou para casa. Sentado na sala que seria dela, abriu o presente: era o mp3 de Bianca, com todas as musicas de rock nacional que ela gostava, que agora eram só suas e de mais ninguém, e uma foto, uma montagem que ela fizera dos dois, ela estava linda, sorridente, cabelos ao vento, tal como a liberdade que ela sempre lutou, e ele estava pensativo, debruçado na janela, todavia pareciam estar no mesmo ambiente; e uma dedicatória no verso: “Não importa o que aconteça, te amarei para sempre”.
No fundo, ela sempre pressentiu o que aconteceria.
sexta-feira, 12 de outubro de 2007
"Eu não consigo mais me concentrar, eu vou tentar alguma coisa para melhorar..." Leve Desespero - Capital inicial
Talvez você não seja boa o bastante para querer que aconteçam coisas boas contigo, ou talvez você tenha magoado muito alguém, e como tudo que vai, volta, está pagando um certo preço. Nao que seja um preço alto, mas somente pelo fato de você ser fria, e nao se entregar em uma relação. Mas eu me compadeço de ti, se entregar como, se você só tem escolhido pessoas sem caráter, e que estão brincando com seus sentimentos? Talvez seja este o seu pensamento, mas nao enxerga que quem está brincando com a vida é você, que começou a brincar primeiro. Não é porque as coisas nao saíram como planejou que nao estejam em harmonia com o universo. A vida é um eterno perde e ganha, mas nao se desespere.
Está bem, entendo que você só queria ser feliz como qualquer pessoa da sua idade, conhecer pessoas legais e de caráter principalmente, viver uma grande paixao, um romance de arrancar suspiros, mas você precisa desencanar e olhar para as oportunidades que aparecem, tirar o fone de ouvido, e levantar os olhos dos livros para que você perceba a vida, e seja percebida por ela. "Quando você quer realmente alguma coisa, o universo conspira a seu favor, mas quem nao sabe para aonde vai, o vento sopra para qualquer lugar." Acorda. É isto que está faltando em ti. Olhar ao redor e ler nas entrelinhas. Quem sou eu para te falar essas coisas sem me preocupar se você vai gostar ou não? Saberás em breve, e saberás também que tenho todo o direito em te dizer estas acusações.
Por mais que nao goste, é o que precisa fazer. Vamos, acorda, está ficando tarde. Nao quero precisar gritar, o sol já está no alto, temos muito tempo, mas é preciso aproveitar cada segundo. Tenho medo de que seja tarde. Nao posso deixar que vc passe pela vida simplesmente, sem vivê-la intensamente. Nao posso.
O que? Acha que nao é capaz de fazer certas coisas e atingir certos objetivos. Pois fique sabendo que você é capacitadíssima, nao é atoa que estudou a vida inteira essa lingua estrangeira, e agora vem dizer-me que nao sabe falar? Só se o gato tiver comido sua língua. Ah, vai passar pela faculdade despercebida, feito o homem invisível? Impossível, o destino te chamou para você ser destaque em tudo o que faz, ser melhor naquilo que se dispõe, e eu sei que você sabe e muito dentro da sua área. Eu entendo que há um leque de opções e coisas que você necessita saber, mas garanto-te que nas horas certas, você estará com a carga de conhecimento exata para a tarefa a ser desenvolvida. Nao se preocupe com o mestrado, detenha-se a graduação, e faça-a bem feita, depois as coisas acontecerão naturalmente. Nao se desespere, se nao tiver lido todos os livros que precisa, se nao tiver feito todos os trabalhos pendentes, se tiver que fazer mais um semestre, lembre-se que tem todo o tempo do mundo em suas mãos.
Querida, entregue-se a vida, e ela se entregará a você, viva o hoje deixe que o amanhã baste-se por ele, o futuro é o amanhã do presente, portanto viva o presente, gaste mais tempo realizando do que planejando, se não, viverá a vida toda planejando sem sobrar tempo para realizar, e aí sim que nao dará mais tempo, de nada. Depois nao diga que eu nao avisei. E tenho dito.
Saudações do seu "Eu" interior que você teima em nao ouvir, em nao compreender e que vive numa luta eterna para que haja o equilibrio.
terça-feira, 9 de outubro de 2007
Sobre a Yara
Precoce em algumas coisas, como no caso da faculdade, e nem tão precoce e madura como no campo dos relacionamentos. Sou um desastre no amor. Não sei paquerar, nem conquistar e nem namorar. Como é estar no papel da namorada? Não sei absolutamente nada da “etiqueta” do amor. Isso nunca me incomodou porque as coisas tem que acontecer naturalmente, mas hoje em dia com 19 anos completos, ser a única solteira da família, junto com minha prima de 10 anos, começou a ser desastroso e estranho; eu não ligava, mas as pessoas questionam e isso leva-me a pensar no quanto eu não importo-me em estar sozinha, deixando a vida passar pela janela. Meu primeiro beijo foi com quase 16 anos, e depois pro segundo foram mais 10 meses, então pra mim é comum ficar muito tempo sem alguém.. os últimos tiveram diferença de dois anos. Imaginem, dois anos solteiríssima, sem nem se preocupar? Mas é este momento que a carência bate na porta, “but no problems”, não estou desesperada e nem encalhada, por isso continuo na janela à espera do meu príncipe encantado chegar de cavalo branco à minha porta. O que seria impossível devido ao fato de eu morar em prédio, e no segundo andar ainda. Mas até que o príncipe não precisa ser tão encantado assim.
Sou sincera e fiel acima de tudo, mas muito flexível também. Não sei ser falsa e nem mentir, prefiro deixar as fantasias na arte, fora da vida real, mas flexível porque as vezes é preciso calar a usar a sinceridade no que não fui chamada ou que não seja imprecindivel.
Inocente, até demais, não vejo malicia em nada, isso explica a facilidade em ser enganada, mas não é jogado fora, tudo é aprendizado. Tímida no começo, mas depois que pego amizade e intimidade, falo mais que a boca. Na faculdade nova, tem um cara que me chamou de “quetona” no orkut, fiquei pensando e parei para analisar, e eu não abro a boca na sala de aula, e acho-me no direito de reclamar que quase não fiz amigos aqui ainda.
Quero ser "livre pra poder buscar o meu lugar ao sol", quero curtir cada momento nesta cidade nova. Eu escolhi estar aqui, largar a comodidade de uma cidade que eu já morava há quase cinco anos, deixar amigos queridos, deixar meus pais(minha mãe voltou), não está sendo fácil, admito, mas estou lutando por mim, pelo meu futuro, pelo futuro da minha familia, meu irmão e meus avós precisam de mim aqui. Quero fazer amigos, curtir a vida com responsabilidade, e simplesmente viver.
sábado, 6 de outubro de 2007
Medo, insegurança e carencia
Medo: é sentimento de viva inquietação ante a noção do perigo real e imaginário; receio. Mas me pego pensando, o que será perigo real e imaginário e como distinguir um do outro. O perigo real causa danos reais, tipo, não andamos a noite no escuro, pois podemos ser abordados, porque realmente pode acontecer algo ruim. Mas o pior em nossas vidas é o medo do imaginário, que nos paralisa, não nos deixa agirmos, arriscarmos, e nem fazermos algo necessário apenas pelo medo de sofrer, de dar errado, e nisso perdemos muitas coisas. E muitas pessoas criam uma fantasia negativa, com medo do imaginário e pensam que isso é realmente muito aterrorizador. Muitos de nós deixamos de ser felizes somente por medo de dar errado, aí é que me pego pensando, mas e se der tudo certo? Só precisamos tentar...Se der certo, ótimo. Se não der, não é o fim do mundo, é só levantar e partimos para outra tentativa, o que importa é não desistir de ser feliz.
Arriscar é imprescindível para chegarmos a nossa felicidade, precisamos parar de só falar em “arriscar” e colocarmos mais em prática essa palavrinha simples, que carrega com ela tanto medo. Outra coisa que devemos prestar atenção, é que muitas vezes não acreditamos no que o outro está declarando, temos que ver que o que ele declara é real e não imaginário. Quase sempre julgamos errado o sentimento dos outros, simplesmente porque somos inseguros, na verdade não existe motivo aparente para desconfiarmos. Sendo fantasia ou não, esse medo faz com que nós queiramos nos esconder, fugindo de tudo que nos traga felicidade, apenas por insegurança, ou será o medo do imaginário?
Não sabemos o que vai acontecer amanhã, ainda não inventaram uma maquina do tempo para sabermos o que vai acontecer, para podermos agir certo. Então temos que pegar a nossa insegurança e jogarmos no lixo, pois no amor tudo o que precisamos é arriscar, e desse risco depende a nossa total felicidade, temos que confiar em nós mesmos e correr atrás da nossa felicidade com todas as forças, porque ninguém está preocupado se vamos ou não estar felizes, e se nós não nos preocuparmos e corrermos atrás, o que será de nós?
Grandes vitórias em todos os tipos de competições, principalmente a vida exigem grandes batalhas, e muitas vezes acabamos guerreando contra nós mesmos, carência, por exemplo, é típico em nós, muitas vezes nós a criamos e acreditamos plenamente que a culpa dela está nos outros, quando na verdade nós mesmo a criamos, com medo do imaginário. A vida é um degrau após o outro, eu sei que às vezes parece que nada dá certo, ou que ainda a vida só tem degraus a subir...Mas é simples, só precisamos acreditar em nós mesmos.
Mas é isso, vamos pensar no futuro, quando já tivermos vencido todos os problemas agora presentes, quando já estivermos ao lado daquela pessoa que tanto queremos, pense, no quanto seremos maiores e melhores. É apenas uma questão de tentar, esquecendo o medo, a insegurança e tudo que nos impede de sermos felizes.
quarta-feira, 3 de outubro de 2007
Carta à você
Será que tudo não passou de um sonho? Que sonho bom, mas nós já acordamo-nos dele. O fato é que faz quatro anos e meio que te conheci e me apaixonei, quase dois que ficamos juntos e eu estou aqui, sozinha, por mais que amores vem e vão, e eles nunca chegarão aos teus pés. Se ainda te amo? Não, não amo mais. É complexo falar de amor a essa altura do campeonato.
Tento não pensar em tudo isso, mas tem momentos que uma energia leva-me pra perto de ti. Meu futuro já está decidido, o seu também, então estamos fazendo certo, cada um vivendo a sua vida, mas agora com uma história pra contar. Foi bonito e importante, mas ficou para trás.
Um brinde! É, um a você, por passar pela minha vida e fazer parte dessa história, outro a mim, por crescer e tornar-me a mulher que sou hoje, um pra nós dois, que juntos, por alguns instantes fomos invencíveis e um outro brinde ao futuro! E ainda, mais um brinde para a vida que juntou-nos e separou-nos sem mais nem porque!
E agora chega, cansei de tudo, pára o mundo que eu quero descer.
Yara 10/07/07 11 a.m Via papel e caneta.
PS: Relendo o texto achei alguns erros gritantes, acabei de corrigir. Isso que dá editar um texto sem lê-lo novamente. Desculpem-me.